Delegacia da Mulher de Passo Fundo registrou oito casos de violĂȘncia por dia em janeiro



A Delegacia Especializada de Atendimento Ă  Mulher (Deam) de Passo Fundo registrou, no Ășltimo mĂȘs de janeiro, uma mĂ©dia de oito casos de violĂȘncia contra a mulher por dia.

Ao todo, foram 250 ocorrĂȘncias nas cidades de Passo FundoCoxilhaMato Castelhano e PontĂŁo, que sĂŁo da ĂĄrea de abrangĂȘncia da unidade policial.

Segundo a delegada titular da Deam, Rafaela Bier, o nĂșmero Ă© considerado alto, mas nĂŁo foge ao padrĂŁo dos Ășltimos anos. A maioria dos casos sĂŁo registrados como ameaça.

— O nĂșmero alto de registros revela que as mulheres tĂȘm denunciado a violĂȘncia e solicitado medidas protetivas de urgĂȘncia, atitude que, na maioria dos casos, protege a vida. A coragem de denunciar Ă© um passo crucial para interromper o ciclo da violĂȘncia e buscar justiça — reforça.

Depois da denĂșncia, a mulher passa a ser assistida pela rede de apoio municipal. Em Passo Fundo, a vĂ­tima que nĂŁo tem casa de familiares para ir Ă© levada a um abrigo e a polĂ­cia encaminha um pedido de medida protetiva Ă  Justiça. No entanto, a rede pĂșblica sĂł pode atuar quando a mulher denuncia.

Rede integrada de apoio

Mesmo diante dos Ă­ndices de violĂȘncia, Passo Fundo nĂŁo registra casos de feminicĂ­dio desde julho de 2024. Conforme a coordenadora da Coordenadoria da Mulher, Maria Luci da Silva, a ação rĂĄpida e integrada da rede de apoio reflete nesse cenĂĄrio.

— NĂŁo tivemos feminicĂ­dio, o que nĂŁo significa que nĂŁo tivemos violĂȘncia, mas diante das situaçÔes de risco, agir rĂĄpido Ă© importante para evitar que a violĂȘncia evolua. Por isso, reforçamos que a denĂșncia Ă© crucial, porque dĂĄ respaldo para essa mulher ser atendida pela nossa rede de atuação — reitera.

AlĂ©m do acolhimento, estendido tambĂ©m aos filhos das vĂ­timas, a mulher recebe atendimento psicolĂłgico, orientação jurĂ­dica gratuita e pode participar de projetos de autonomia econĂŽmica.

De acordo com a coordenadora, o medo e a dependĂȘncia financeira impedem a maioria das mulheres em situação de violĂȘncia de registrarem denĂșncia. Nesses casos, o Centro de ReferĂȘncia de Atendimento Ă  Mulher (Cram) Ă© porta de entrada para buscar suporte.

— NĂłs organizamos rodas de conversa e de orientação, para que essas mulheres entendam o que Ă© a violĂȘncia que sofrem e como sair desse ciclo. Apresentamos as alternativas possĂ­veis e incentivamos a denĂșncia, porque precisa partir delas — explica.

Em janeiro de 2026, o Cram atendeu a 40 mulheres. Dessas, 28 seguem em acompanhamento. O serviço fica na Rua PantaleĂŁo Bolner, 286, bairro Zachia.

Como pedir ajuda

Brigada Militar – 190

  • Se a violĂȘncia estiver acontecendo, a vĂ­tima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento Ă© 24 horas em todo o Estado.

PolĂ­cia Civil

  • Se a violĂȘncia jĂĄ aconteceu, a vĂ­tima deverĂĄ ir, preferencialmente Ă  Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de PolĂ­cia para fazer o boletim de ocorrĂȘncia e solicitar as medidas protetivas.
  • Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao PalĂĄcio da PolĂ­cia, no bairro Azenha. Os telefones sĂŁo (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergĂȘncias).
  • As ocorrĂȘncias tambĂ©m podem ser registradas em outras delegacias. HĂĄ DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.

Delegacia Online

  • É possĂ­vel registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir atĂ© a delegacia, o que tambĂ©m facilita a solicitação de medidas protetivas de urgĂȘncia.

Central de Atendimento Ă  Mulher 24 Horas – Disque 180

  • Recebe denĂșncias ou relatos de violĂȘncia contra a mulher, reclamaçÔes sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vĂ­tima pode receber atendimento. A denĂșncia serĂĄ investigada e a vĂ­tima receberĂĄ atendimento necessĂĄrio, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denĂșncia pode ser anĂŽnima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.

Defensoria PĂșblica – Disque 0800-644-5556

  • Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vĂ­tima poderĂĄ procurar a Defensoria PĂșblica, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).

Centros de ReferĂȘncia de Atendimento Ă  Mulher

  • Espaços de acolhimento/atendimento psicolĂłgico e social, orientação e encaminhamento jurĂ­dico Ă  mulher em situação de violĂȘncia.

MinistĂ©rio PĂșblico do Rio Grande do Sul

  • O MinistĂ©rio PĂșblico do Rio Grande do Sul atende o cidadĂŁo em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
  • Neste espaço Ă© possĂ­vel acessar o atendimento virtual, fazer denĂșncias e outros tantos procedimentos de atendimento Ă  vĂ­tima. 

Fonte: GZH
Foro: Bruno Todeschini / Agencia RBS

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