Alagamentos: É hora de soluções imediatas e não de procurar culpados

 “O que Tapejara precisa é de maturidade institucional, responsabilidade técnica e ação coordenada!”

Em menos de 24 horas, Tapejara voltou a enfrentar uma cena que já se tornou rotineira: ruas do Centro tomadas pela água, estabelecimentos invadidos e prejuízos acumulados. Os alagamentos registrados entre a noite de sábado, 21, e o fim da tarde de domingo, 22, reacenderam um problema antigo que insiste em se repetir a cada episódio de chuva mais intensa.

De acordo com registros da Emater, o volume acumulado no período chegou a 165 milímetros. É um índice expressivo, sem dúvida. Mas a chuva, por si só, não pode continuar sendo a única explicação para um transtorno que há muitos anos impacta moradores, comerciantes e toda a dinâmica urbana de Tapejara.

O ponto mais crítico segue sendo o mesmo: as imediações do cruzamento da Rua Independência com a Avenida 7 de Setembro. Ali, mais uma vez, a água invadiu estabelecimentos comerciais e causou danos a empresários que, a cada novo episódio, se veem reféns de uma situação que parece já ter sido naturalizada. E é justamente isso que não pode acontecer: normalizar o anormal.

Nas redes sociais, como costuma ocorrer, o debate rapidamente se desloca para a disputa política. Críticas ao atual prefeito, comparações com ex-prefeitos, acusações sobre obras passadas e tentativas de apontar responsáveis imediatos. Na sessão da Câmara de Vereadores de segunda-feira, 23, o tom foi o mesmo. Mas, diante da gravidade e da recorrência do problema, esse não deveria ser o foco principal.

Não se trata de uma competição sobre quem fez mais ou menos. Não se trata de transformar a dor de quem perdeu mercadorias, carros, patrimônio e tranquilidade, em palanque. O que Tapejara precisa neste momento é de maturidade institucional, responsabilidade técnica e ação coordenada!

O problema não surgiu ontem. Ele se arrasta há anos. E justamente por isso exige uma resposta à altura: planejada, embasada e definitiva. E com todos envolvidos.

Há, inclusive, um dado que não pode ser ignorado. No Ministério Público, existe um inquérito robusto, com 479 páginas, instaurado para buscar soluções para as frequentes enchentes em Tapejara. O procedimento teve início em 2016 e foi arquivado em 2023, mas reuniu pareceres técnicos, estudos detalhados sobre as causas dos alagamentos e apontamentos concretos sobre possíveis caminhos para enfrentar o problema.

Segundo o material, um dos principais entraves está na insuficiência das galerias pluviais, que hoje não comportam a demanda em períodos de maior volume de chuva. O inquérito também aponta a necessidade de implementação de bombas em pontos estratégicos para auxiliar no escoamento da água, além de reforçar medidas preventivas básicas, como a limpeza regular de bueiros e galerias. Entre as alternativas sugeridas, está ainda o prolongamento da galeria localizada no cruzamento da Avenida 7 de Setembro com a Rua Independência até a Rua XV de Novembro.

Ou seja: o município não está diante de um problema sem diagnóstico. Há estudos. Há relatórios. Há indicativos técnicos. Há um histórico documentado. O que falta, ao que tudo indica, é transformar conhecimento acumulado em decisão política e execução prática.

É evidente que não se trata de uma solução simples. Ninguém imagina que um problema estrutural, consolidado ao longo de décadas, será resolvido com medidas superficiais ou improvisadas. Mas também não é mais aceitável que, ano após ano, a cidade assista aos mesmos alagamentos, às mesmas perdas e às mesmas discussões estéreis.

Tapejara precisa que seus órgãos competentes tratem essa questão como prioridade real, não como pauta sazonal, não como tema de embate político, mas como um desafio urbano que exige união, transparência e compromisso público.

A população tem o direito de saber: o que, de fato, está sendo feito? Quais medidas do inquérito já foram analisadas? O que é viável executar a curto, médio e longo prazo? Existe projeto? Existe cronograma? Existe previsão orçamentária? Existe articulação entre os órgãos?

Essas respostas precisam sair do papel e chegar à comunidade. Porque o que aconteceu no último episódio de chuva não foi apenas consequência do volume acima do esperado. Foi, sobretudo, a repetição de um problema previsível. E problemas previsíveis exigem prevenção, planejamento e coragem para agir.

FOTO: Henrique Seben/Reprodução das Redes Sociais

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