Vereador leva demandas de Tapejara à Comissão da Assembleia que fiscaliza serviços da Aegea/Corsan

 


A situação dos serviços de abastecimento de água e saneamento prestados pela Aegea/Corsan voltou a ser alvo de críticas na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Durante audiência pública realizada na segunda-feira (15), a Comissão Especial de Fiscalização da Aegea/Corsan recebeu relatos de usuários, vereadores e lideranças municipais de diversas regiões do Estado sobre problemas como aumento de tarifas, interrupções no fornecimento de água, falhas no tratamento e cobranças consideradas indevidas.

Tapejara esteve representada pelo vereador Douglassi Negri (PL), que levou à comissão uma série de demandas relacionadas ao município. Desde o início da atual legislatura, o parlamentar tem acompanhado de perto as reclamações da população e buscado soluções junto à concessionária e aos órgãos fiscalizadores.

Segundo Douglassi, inúmeros ofícios foram encaminhados e diversas reuniões realizadas ao longo dos últimos meses, mas os resultados ainda são considerados insuficientes. Como forma de reunir e documentar os problemas enfrentados pelos consumidores tapejarenses, o vereador elaborou um dossiê detalhado apontando falhas na prestação dos serviços e as tentativas de resolução já realizadas pelo poder público e pela comunidade.

O documento foi protocolado junto ao Ministério Público, com pedido de instauração de inquérito civil para apurar a atuação da Aegea/Corsan em Tapejara. Uma cópia também foi encaminhada ao deputado estadual Cláudio Tatsch, relator da Comissão Especial de Fiscalização.

“Queremos que a Comissão tome conhecimento e analise também a situação de Tapejara, porque temos aqui problemas graves que se arrastam há anos”, afirmou o vereador durante sua participação na audiência.

Entre as principais reclamações apresentadas estão a constante falta de água no Bairro São Paulo, as cobranças consideradas abusivas da taxa de esgoto no Bairro São Cristóvão e os problemas de baixa pressão e falhas no abastecimento em diferentes pontos da cidade. De acordo com Douglassi, uma fiscalização solicitada pelas bancadas do MDB e PL confirmou irregularidades no fornecimento, resultando na aplicação de um auto de infração contra a concessionária e em uma multa de aproximadamente R$ 19 mil.

Diante do cenário, o vereador foi convidado a expor a realidade de Tapejara durante a audiência pública. Na ocasião, também solicitou que a Comissão Especial realize uma vistoria técnica no município para verificar de perto os problemas enfrentados pela população.

Douglassi destacou ainda que a discussão não deve ser conduzida sob viés político. “Esperamos que esta comissão não tenha sido criada apenas para um debate ideológico. Alguns defendem que, quando a companhia era estatal, o serviço era bom. Na minha opinião, isso não é verdade. Havia problemas antes e eles continuam existindo agora, mesmo após a privatização”, declarou.

O parlamentar também criticou a atuação da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs), que, segundo ele, tem falhado no acompanhamento e na fiscalização dos serviços prestados pela concessionária.

Além dos problemas relatados por Tapejara e por outros municípios atendidos pela Aegea/Corsan, os integrantes da comissão também demonstraram preocupação com o atraso de investimentos prometidos após a privatização da companhia. A presidente da comissão, deputada Stela Farias, afirmou que a privatização foi apresentada à população gaúcha como uma alternativa para ampliar investimentos, modernizar a estrutura e garantir a universalização do saneamento básico. No entanto, segundo ela, o cenário atual é marcado por reclamações sobre a qualidade dos serviços e pelo aumento das contas pagas pelos consumidores.

A deputada ressaltou ainda que câmaras municipais de diversas cidades já instalaram comissões de investigação para acompanhar o tema, enquanto Ministério Público, Defensoria Pública e administrações municipais vêm adotando medidas administrativas, técnicas e judiciais na busca por soluções.

Na próxima semana, a Comissão Especial deverá ouvir representantes da própria Aegea/Corsan, dando sequência ao processo de fiscalização e à análise das denúncias apresentadas pelos municípios gaúchos.

Texto: Renee Rodrigues Fontana
Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

 

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