O número de brasileiros endividados voltou a acender o
alerta em todo o país. Dados divulgados pela Serasa Experian mostram que 82,8
milhões de pessoas estavam inadimplentes em março deste ano, o equivalente a
49% da população brasileira. Diante deste cenário, o Governo Federal lançou o
programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas bancárias com
descontos que podem chegar a 90%.
Na região de Tapejara, os dados também preocupam.
Levantamento da Serasa referente a abril de 2026 mostra que Tapejara concentra
o maior volume de inadimplência entre os municípios da região, somando mais de
R$ 63,1 milhões em dívidas.
Ao todo, o município possui 6.653 inadimplentes, que
acumulam 30.641 dívidas registradas. O ticket médio por inadimplente é de R$
9.495,97, enquanto o valor médio por dívida chega a R$ 2.061,83.
Os números colocam Tapejara muito acima das cidades vizinhas
em volume financeiro de débitos.
Região também registra altos índices de inadimplência
Além de Tapejara, outros municípios da região apresentam
índices significativos de endividamento:
- Água
Santa possui 844 inadimplentes, com dívidas que somam R$ 11,6 milhões;
- Charrua
registra 799 inadimplentes e R$ 7,2 milhões em débitos;
- Ibiaçá
soma 872 inadimplentes e mais de R$ 9,3 milhões em dívidas;
- Vila
Lângaro contabiliza 219 inadimplentes, totalizando R$ 2,5 milhões.
Entre os municípios analisados, Água Santa apresenta o maior
ticket médio por inadimplente da região: R$ 13.832,84.
Dívidas bancárias lideram inadimplência
Segundo a Serasa, 47% de todas as dívidas no Brasil estão
ligadas a instituições financeiras, como bancos, cartões de crédito, cheque
especial e empréstimos. Em seguida aparecem contas básicas, como água, luz e
gás, representando 21% dos débitos.
O levantamento também identificou os principais motivos que
levam ao endividamento:
- 38%
apontam desemprego ou perda de renda;
- 16%
citam gastos emergenciais;
- 13%
relatam desorganização financeira;
- 10%
afirmam ter assumido despesas para ajudar familiares ou amigos;
- 7%
relacionam a inadimplência ao atraso no pagamento de contas.
Rio Grande do Sul tem mais de 4,1 milhões de negativados
No Rio Grande do Sul, mais de 4,1 milhões de pessoas estão
com o nome negativado, o equivalente a 46,47% da população adulta do Estado.
Juntas, essas dívidas ultrapassam R$ 31,9 bilhões.
Somente em Porto Alegre, são mais de 587 mil inadimplentes,
que acumulam cerca de R$ 4,9 bilhões em débitos.
Como funciona o Desenrola 2.0
O programa Desenrola 2.0 é destinado a pessoas com renda
mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas bancárias contratadas
até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.
Entre as condições oferecidas estão:
- descontos
entre 30% e 90%;
- juros
máximos de 1,99% ao mês;
- parcelamento
em até 48 meses;
- prazo
de até 35 dias para começar a pagar;
- renegociação
de até R$ 15 mil por instituição financeira.
Também será permitido utilizar até 20% do saldo do FGTS — ou
no mínimo R$ 1 mil — para quitar dívidas parcial ou integralmente.
A plataforma de renegociação já conta com participação de
bancos como Itaú, Santander, Bradesco, Banco Pan, BV, Neon, Nubank e BMG, além
de disponibilizar mais de 7,7 milhões de ofertas para renegociação.
Foto: Divulgação
