Câmara aprova criação de nova Secretaria e coordenadorias em Tapejara após debate acalorado e votação dividida

 


Em uma sessão marcada por divergências e críticas ao trâmite do projeto, a Câmara de Vereadores de Tapejara aprovou, na noite de segunda-feira (13), o Projeto de Lei do Executivo nº 046/2026, que promove uma reestruturação administrativa no Poder Executivo, criando a Secretaria de Sustentabilidade e Desenvolvimento Ambiental, a Coordenadoria de Obras Públicas e a Coordenadoria da Mulher.

A matéria foi aprovada por maioria simples, com placar de 6 votos favoráveis e 4 contrários, evidenciando a falta de consenso entre os parlamentares sobre a necessidade e o momento da criação dos novos cargos.

Conforme a estimativa de impacto orçamentário anexa ao projeto, a nova estrutura administrativa prevê a criação de cinco cargos, entre eles um secretário municipal, dois diretores de coordenadoria, um diretor de Secretaria e uma assessoria de gabinete. O custo mensal projetado é de R$ 44.267,09, enquanto o impacto anual estimado para os cofres públicos é de R$ 774 mil por ano.

Para o exercício de 2026, em razão da implantação no segundo semestre, o impacto estimado é de aproximadamente R$ 376 mil.

Oposição critica urgência e aumento de despesas

Os vereadores da bancada de oposição, Fabiana Rodigheri, Maeli Brunetto, Jairo Michelin e Douglassi Negri, do MDB e PL, votaram contra o projeto. Entre as principais críticas esteve o pedido de tramitação em regime de urgência e o fato de o texto ter sido entregue aos vereadores apenas algumas horas antes da sessão.

A vereadora Fabiana Rodigheri afirmou que a prática tem se repetido e criticou a junção de diferentes temas em uma única proposta. “Recebemos este projeto hoje e com pedido de urgência. Não é a primeira vez que isso acontece”, afirmou. Embora tenha se declarado favorável à criação da Coordenadoria da Mulher, a parlamentar questionou a necessidade de criação de uma nova Secretaria e de uma Coordenadoria de Obras diante do cenário econômico. “Estamos vivendo uma situação econômica instável. Não é hora de criar cargos que irão gerar um gasto de mais de R$ 700 mil por ano. Nós entramos para a política para servir as pessoas. Mas quem realmente estamos servindo com este projeto?”, questionou.

Na mesma linha, a vereadora Maeli Brunetto classificou a proposta como inadequada diante das demandas existentes em outras áreas. “Sabemos que esse projeto tem a função de realocar pessoas. Precisamos de atenção para a saúde, temos pessoas aguardando cirurgias, fisioterapia e consultas oftalmológicas. Isso é uma palhaçada”, declarou.

O vereador Jairo Michelin também se posicionou contrário e lembrou que a bancada já havia sugerido a criação de uma Procuradoria da Mulher, estrutura que, segundo ele, poderia desempenhar funções semelhantes sem gerar novas despesas ao município. Além disso, o parlamentar destacou a necessidade de ampliar incentivos ao setor agrícola, especialmente diante das preocupações relacionadas aos efeitos climáticos previstos para os próximos meses.

Base governista defende estrutura técnica e foco ambiental

Em defesa do projeto, o vereador Deberton Fracaro (PDT) argumentou que a criação da nova Secretaria permitirá maior agilidade na resolução de questões ambientais, consideradas hoje um dos principais entraves ao desenvolvimento do município.

Segundo ele, a futura Secretaria de Sustentabilidade e Desenvolvimento Ambiental terá papel estratégico na condução de projetos importantes, entre eles a obra de enfrentamento às enchentes no centro da cidade. “O principal ponto que levo em conta é que a Secretaria está sendo criada para focar no Meio Ambiente, pois o que mais atrasa o crescimento do município são problemas ambientais. Teremos uma das maiores obras já realizadas em Tapejara no ponto das enchentes, e precisamos de pessoas capacitadas e focadas na resolução desse problema”, afirmou.

Na justificativa encaminhada pelo Executivo, o governo argumenta que a atual Secretaria da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente acumula atribuições consideradas complexas e distintas, gerando sobrecarga administrativa e lentidão na tomada de decisões. O desmembramento da área ambiental, segundo o texto, permitiria maior atenção às políticas de sustentabilidade e à gestão de projetos específicos.

Já a criação da Coordenadoria da Mulher é defendida pela administração como uma resposta à crescente necessidade de formulação e coordenação de políticas públicas voltadas à igualdade de gênero, ao enfrentamento da violência doméstica e à promoção dos direitos das mulheres.

Questionamentos sobre perfil técnico dos cargos

Em contraponto às justificativas apresentadas pela base governista, o vereador Douglassi Negri (PL) afirmou que a simples criação de novas estruturas administrativas não garante maior eficiência na gestão pública. O parlamentar destacou que o projeto não especifica requisitos técnicos para alguns dos cargos propostos. “Pelas justificativas apresentadas, seria necessário um engenheiro para a função, mas o projeto não esclarece a necessidade de formação específica. Algumas coisas realmente precisam andar com mais eficiência, mas isso exige contratações assertivas e não necessariamente a criação de novas Secretarias e Coordenadorias”, argumentou.

Douglassi defendeu uma estrutura administrativa mais enxuta, com foco em profissionais técnicos e redução da influência política nas nomeações.

Projeto evidencia divisão política

A votação do Projeto de Lei nº 046/2026 expôs divergências sobre prioridades administrativas e financeiras do município. Enquanto a base governista sustenta que a nova estrutura será fundamental para acelerar projetos ambientais e fortalecer políticas públicas para as mulheres, a oposição questiona o momento econômico, o aumento de despesas e a forma como a matéria foi conduzida no Legislativo.

Com a aprovação por 6 votos a 4, o projeto segue agora para sanção do Executivo Municipal e deverá resultar na implantação da nova estrutura administrativa nos próximos dias.


Texto e foto: Renee Rodrigues Fontana - Olhar Daqui RS

 

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