Câmara de Tapejara retoma debate sobre Rua Coberta e proposta divide opiniões



A implantação da chamada Rua Coberta voltou ao centro do debate na Câmara de Vereadores de Tapejara. Na sessão de segunda-feira (17), a Indicação nº 078/2026 colocou novamente em discussão o local onde deverá ser instalada a estrutura que vem sendo planejada pelo município.
De autoria dos vereadores Fabiana Rodigheri, Jairo Michelin, Maeli Caroline Bunetto e Douglassi Negri, das bancadas do MDB e PL, a indicação sugere que o Executivo avalie a transferência da cobertura prevista para a Rua do Comércio para a área da Praça Silvio Ughini.
A proposta reacende uma discussão que começou ainda em 2025, quando o vereador Verani Bacchi (Progressistas) apresentou uma indicação para que Tapejara implantasse uma Rua Coberta na Rua do Comércio, em frente à praça. O texto foi aprovado por unanimidade na época.
Desde então, porém, o projeto avançou para uma nova etapa e passou a provocar questionamentos entre comerciantes, moradores e vereadores. A sessão desta segunda-feira foi acompanhada presencialmente por empresários e moradores da região diretamente envolvida na possível implantação da estrutura.
Uma obra que mudou de lugar na discussão
Ao defender a nova indicação, o vereador Jairo Michelin afirmou que comerciantes da quadra onde está prevista a Rua Coberta procuraram os vereadores para manifestar preocupação com a implantação da estrutura naquele trecho. Segundo ele, uma das principais questões envolve o acesso aos imóveis. “A cobertura desta rua impossibilitará entrada de caminhões, caso haja uma construção nos terrenos que estão localizados na referida quadra.”
Michelin também levantou uma preocupação relacionada à segurança. Segundo o vereador, em uma eventual ocorrência em algum dos prédios, a estrutura poderia dificultar o acesso de caminhões do Corpo de Bombeiros. Para o parlamentar, a discussão também passa pela necessidade de ouvir quem será diretamente afetado pela obra.
A posição da bancada de oposição, afirmou, não seria contrária à implantação da Rua Coberta, mas relacionada ao local escolhido e ao diálogo com a comunidade.
Projeto defendido desde 2025
Autor da indicação que deu origem à discussão sobre a Rua Coberta, Verani Bacchi utilizou seu espaço na tribuna para defender a proposta original. O vereador classificou a obra como um projeto capaz de trazer benefícios e contribuir para o desenvolvimento do município.
Segundo Verani, o Executivo está elaborando estudos e deverá apresentar duas alternativas: uma com a cobertura instalada sobre a Rua do Comércio e outra contemplando a área da Praça Silvio Ughini.
O parlamentar também afirmou que vem ouvindo moradores há meses e apresentou uma estimativa baseada nessas conversas. Segundo ele, cerca de 80% das pessoas consultadas seriam favoráveis à cobertura na rua, enquanto 10% prefeririam a implantação na praça. Outra possibilidade levantada durante as consultas, conforme o vereador, seria uma solução intermediária, com cobertura parcial da rua e da praça.
Bacchi defendeu ainda que as diferentes alternativas sejam submetidas à população para escolha.
“Fui pega de surpresa”, diz vereadora
A informação de que o Executivo estaria desenvolvendo duas alternativas provocou reação da vereadora Fabiana Rodigheri. Ela afirmou ter sido “pega de surpresa” ao tomar conhecimento, durante a sessão, de que haveria estudos para duas possibilidades de implantação. “Se fala tanto em construção conjunta, mas não tínhamos conhecimento destas informações até este exato momento”, afirmou.
Fabiana também explicou que havia votado favoravelmente à indicação original, apresentada em 2025, mas que decidiu rever sua posição depois de ouvir comerciantes e moradores. “Quando veio para esta Casa a primeira indicação eu votei favorável. Porém, a comunidade nos procurou para colocar seu ponto de vista. E eu não tenho problema nenhum em repensar meus posicionamentos e mudar de opinião, desde que seja com embasamento.”
Além do acesso aos imóveis, a vereadora levantou uma preocupação relacionada à drenagem urbana. Segundo ela, a localização prevista para a Rua Coberta fica próxima a uma área de alagamento, o que exigiria atenção ao volume de água que poderá ser direcionado para o local.
Para Fabiana, discutir a obra com os moradores e empresários não significa necessariamente atrasar sua execução. “Ouvir a comunidade não significa atrasar nenhuma obra. Significa, sim, debater com aqueles que realmente terão impacto diário.”
Base técnica entra no centro da discussão
O vereador Déberton Fracaro (PDT) adotou uma posição diferente durante o debate e chamou atenção para o fato de que, até o momento, não existe uma definição final sobre o formato e o local da obra.
Ao comentar a informação de que estão sendo elaboradas duas alternativas, Fracaro defendeu a condução do Executivo e afirmou que não é necessário que todas as decisões administrativas sejam comunicadas individualmente aos vereadores antes de sua definição.
O parlamentar também questionou a apresentação de informações técnicas na tribuna sem que os projetos estejam concluídos. “Se os vereadores da oposição tivessem procurado informações antes de apresentar a indicação, saberiam que estão sendo feitos dois projetos de cobertura para analisar a viabilidade do que será melhor.”
Fracaro destacou que a definição da estrutura depende de profissionais habilitados, como engenheiros e técnicos, responsáveis por avaliar aspectos que vão além da decisão política sobre a obra.
Ao final de sua manifestação, pediu cautela aos moradores que acompanhavam a discussão. “Aos que estão nos ouvindo em casa, por gentileza, desconsiderem a maioria do que foi falado aqui, porque os projetos estão sendo feitos por profissionais, para que tenhamos a possibilidade de entender o que é melhor ou pior.”
Debate
O debate em Tapejara deixou claro que a discussão sobre a Rua Coberta vai além da escolha entre rua ou praça. De um lado, estão os defensores da proposta na Rua do Comércio, que enxergam na estrutura uma possibilidade de criar um novo espaço de convivência, estimular a circulação de pessoas e contribuir para o desenvolvimento da área central.
De outro, comerciantes e vereadores questionam os impactos que uma cobertura permanente poderá provocar no cotidiano da quadra, especialmente em relação ao acesso de veículos, futuras obras, atendimento a emergências e drenagem.
Há ainda uma terceira possibilidade sobre a mesa: a elaboração de uma solução que combine, de alguma forma, os dois espaços. Por enquanto, nenhuma das alternativas foi oficialmente definida.
A discussão também revela um dos principais desafios de projetos urbanos: uma obra pensada para transformar determinado espaço precisa considerar não apenas seu uso imediato, mas também os impactos que poderá produzir ao longo dos anos.
A indicação foi aprovada por nove votos favoráveis e um contrário, do vereador Verani Bacchi. A próxima etapa será conhecer os estudos e projetos que estão sendo elaborados pelo município. A partir deles, será possível avaliar tecnicamente as alternativas e avançar na definição de onde e como Tapejara terá sua Rua Coberta.

Texto: Renee Rodrigues Fontana
Foto: Divulgação / Redes Sociais

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