Julgando e sendo julgado




É engraçado como é a nossa vida e como ela é vista pelos outros.

Fico pensando, muitas vezes, sobre os conceitos que as pessoas me falam sobre mim e os conceitos que as pessoas não me falam sobre mim e a minha vida.

Queiramos ou não, sempre falam e sempre sabemos.

É muito fácil e aceitável falar da vida alheia, eu também falo. Mas digo e, é lícito, falar é bom pra quem sabe o que fala.  Sabe quando é bom? Quando as pessoas nos dizem “bom dia” desejando um bom dia, nos conhecendo, imaginando nossas dores, erros e acertos, por conviverem, longe ou perto, por saberem parte da nossa história, por saberem ou fazerem parte do nosso mundo, por fuxicarem sobre nós (e nós sobre elas). Isso é “bom dia”, porque quando nos tornamos públicos, dentro ou fora de nossa casa, nossas tragédias e nossas vitórias também são.

É incrível como tudo se torna fácil ou escandaloso na saliva destilada de quem vê o mundo pela própria ótica.

Sabem que nem eu aqui, dentro do meu universo consigo compreender o que acontece nesse mundo pequenininho que eu respiro todos os dias? Cada um tem sua consciência, cada um tem seu coração, sua alma, suas experiências, suas maneiras de ver o mundo, suas dores, decepções, alegrias, retornos, satisfações e, acreditem, dentro de uma mesma família cada um tem sua índole. Se nem eu imagino o que meus filhos pensam, que dirá “Deus” o que fazem da porta pra fora. Somente posso acreditar e confiar no que eu digo a eles.  Ainda assim há quem comente sobre nossos amados com fel na língua, mesmo os nascidos em berços duvidosos.

Sabe “Deus” o que se passa no pensamento de quem nos observa...

Nós, com tatuagens coloridas ou não, com olheiras que ninguém sabe se é falta de sono ou drogas, descabelados seja por cuidar de quem amamos ou por puro desleixo, às vezes sujos, às vezes segurando o mundo nas costas, em outras oportunidades dando as costas para o mundo, portando simples bijuterias honestamente ou usando joias incompatíveis com o valor do próprio caráter, enfim... o pensamento dos observadores flutua, e sempre flutua em suas línguas ociosas.

O que sabem os juízes pronunciadores dos “bons dias” que os habilite a utilizar suas bocas cheias de feridas para manifestar sua maldade de pensamento?  Então, repito, mal sabem os perniciosos dos olhares cheios de inveja, rancor e hipocrisia, doentes, o que acontece em nossas casas, mas, bem sabe “Deus” de como somos, do que sentimos, do que queremos, para o que realmente nascemos. Sabe “Deus”, e ele sabe bem, que o que plantamos colhemos.


Carla Augusta Thomaz

Psicanalista

 
 

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