Família de Sananduva mobiliza campanha para arrecadar R$ 350 mil e levar bebê a tratamento experimental no México

 


Com pouco mais de um ano de vida, o pequeno Lucca, morador de Sananduva, enfrenta uma batalha diária contra graves sequelas neurológicas. Diagnosticado com lesão cerebral, perda auditiva profunda e epilepsia grave, o bebê é o centro de uma mobilização solidária que busca arrecadar R$ 350 mil para viabilizar um tratamento experimental no México, considerado a esperança pela família.

O procedimento, previsto para maio, utiliza a tecnologia Cytotron, um equipamento que emite campos eletromagnéticos com o objetivo de estimular funções neurológicas e modular tecidos cerebrais. A técnica ainda não é aplicada no Brasil para essa finalidade e, por isso, não é coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nem por planos de saúde.

Um começo marcado por desafios

Lucca nasceu em março de 2025 e, logo nos primeiros dias de vida, precisou ser internado na UTI neonatal, onde permaneceu por 29 dias, sendo 16 deles entubado e em coma. As complicações resultaram em um quadro de anoxia neonatal, falta de oxigenação no cérebro, condição que deixou sequelas permanentes.

Desde então, a rotina da família foi completamente transformada. A mãe, Fabíola Soares, nutricionista, e o pai, Gabriel, que atuava como trabalhador autônomo, deixaram seus empregos para se dedicar integralmente aos cuidados do filho.

Em agosto do ano passado, a família se mudou para Curitiba (PR) em busca de atendimento especializado. Na capital paranaense, Lucca passou a receber acompanhamento multidisciplinar e integrou um estudo médico com células-tronco, além de terapias contínuas.

“Já vendemos ou rifamos tudo o que tínhamos, incluindo móveis, pertences pessoais e até o carro. As reservas financeiras acabaram. Hoje sobrevivemos com doações e ações solidárias”, relata Fabíola.

Rotina intensa e custos elevados

Atualmente, Lucca se alimenta por sonda e utiliza mais de 40 medicamentos e suplementos diariamente. Segundo a família, as despesas mensais com cuidados médicos, terapias e medicamentos chegam a cerca de R$ 15 mil.

O tratamento experimental no México, por sua vez, tem custo estimado em R$ 350 mil, sem considerar despesas com passagens, hospedagem e alimentação. O procedimento será realizado em Monterrey, onde a família deverá permanecer por 35 dias, período necessário para a realização de 28 sessões na máquina Cytotron.

Para garantir a vaga, parte do valor precisa ser paga até março, o que intensifica a corrida contra o tempo.

Esperança no tempo certo

A técnica ganhou visibilidade internacional após ser retratada no filme “Os Dois Hemisférios de Lucca” (2025), inspirado na história real da jornalista Bárbara Anderson, que buscou o mesmo tratamento para o filho diagnosticado com paralisia cerebral grave. “Quando descobrimos esse tratamento, surgiu uma esperança. Hoje, é a única alternativa que encontramos” afirma Fabíola.

Segundo a mãe, o período até os dois anos de idade é considerado decisivo para intervenções neurológicas. “O cérebro ainda está em desenvolvimento e existe a possibilidade de criação de novos caminhos neurais. A expectativa é reduzir as sequelas e melhorar o desenvolvimento do Lucca”, explica.

Até o momento, a campanha já arrecadou cerca de R$ 200 mil, restando aproximadamente R$ 150 mil para alcançar o valor necessário. A mobilização envolve pessoas de diferentes regiões do país, que acompanham e compartilham a história nas redes sociais. “Conversamos com famílias brasileiras que já realizaram o tratamento no México e relataram avanços significativos nas crianças. Por isso, estamos correndo contra o tempo”, destaca Fabíola.

Como ajudar

A família segue promovendo vaquinhas online, rifas solidárias e doações via Pix para custear tanto o tratamento experimental quanto as despesas médicas mensais de Lucca.

As formas de contribuição podem ser encontradas:

  • Na plataforma Razões para Acreditar
  • No perfil do Instagram @fabisoares.nutri

Mais do que arrecadar recursos, a campanha busca ampliar a rede de apoio e dar visibilidade à luta de um bebê que, desde o nascimento, enfrenta desafios que exigem coragem, amor e solidariedade coletiva.

 

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