OAB/RS cria ações e discussões contra o feminicídio

A OAB/RS promoveu na quarta, 25 de março, uma mobilização histórica voltada à conscientização de jovens estudantes sobre cidadania, cultura de respeito e enfrentamento às diversas formas de violência: o Dia D do projeto "OAB Vai à Escola".

O êxito da iniciativa, realizada simultaneamente em todas as regiões do Estado, bem como os resultados alcançados, foram apresentados pela entidade na noite do mesmo dia, durante o ato "Basta de Feminicídios no RS". O evento reuniu autoridades, advogadas e advogados, além de representantes da sociedade civil, no Auditório OAB Cubo, em Porto Alegre, com o objetivo de promover um espaço de debate qualificado, reflexão crítica e articulação de estratégias voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher no Estado.

Ambas as ações tiveram como propósito central transformar a comoção social em iniciativas concretas e estruturantes, articulando, de forma integrada, o potencial formativo da educação no ambiente escolar com a construção de um debate aprofundado e técnico.

Ato "Basta de Feminicídios no RS"

No Auditório OAB Cubo, 23 cadeiras vazias simbolizaram a triste realidade que o Estado vive atualmente. Cada uma delas representava uma história, um plano e um futuro interrompido pela violência contra a mulher (dados dos três primeiros meses de 2026 no Rio Grande do Sul).

Para o presidente da Ordem gaúcha, Leonardo Lamachia, a data simbolizou o compromisso e a mobilização da advocacia do Rio Grande do Sul em defesa da vida e da proteção social. "A ausência de 23 mulheres nesse local evidencia uma perda irreparável, que reforça a necessidade de ações concretas e contínuas. Nesse contexto, destaco que a união dos integrantes da OAB/RS possibilitou a articulação de uma ampla rede de advogadas e advogados, voltada à promoção da cultura da paz e do respeito em todo o Estado. O evento de hoje alcançou êxito graças ao engajamento coletivo, e afirmo: a advocacia gaúcha seguirá atuando de forma efetiva nas 107 subseções, com o objetivo de assegurar que o direito à vida seja tratado como absoluto e inviolável", disse.

A vice-presidente da entidade, Claridê Chitolina Taffarel, expressou orgulho pela dedicação da classe. "Estou com o peito cheio de orgulho da advocacia pelo trabalho realizado nas subseções neste dia. O feminicídio é uma chaga que atinge a sociedade gaúcha, mas essa instituição não se furta de dar sua contribuição para transformar esse cenário", disse. Já a presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do RS (CAARS), Neusa Bastos, reforçou que a violência nasce de uma cultura machista enraizada. "O feminicídio não surge somente no momento do crime; ele começa muito antes, quando a autonomia da mulher incomoda e sua liberdade é vista como afronta. Precisamos atuar antes, monitorar agressores e oferecer independência econômica para que nenhuma mulher precise escolher entre a violência e a sobrevivência", destacou.

Após o ato, foi realizado um painel técnico com temas de alto impacto. Entre os palestrantes estavam a promotora de justiça Ivana Battaglin, com o tema "Da cultura à violência: o papel dos homens no enfrentamento ao feminicídio"; a diretora da Escola Superior da Advocacia (ESA/RS), Letícia Padilha tratou da "Invisibilidade das mulheres negras periféricas vítimas de violência doméstica"; e a psiquiatra forense Gabrielle Foppa também contribuiu com a análise dos "Aspectos psiquiátricos forenses" relacionados ao crime. O evento foi organizado pela Comissão da Mulher Advogada, pela Comissão de Direitos Humanos Sobral Pinto e pela Comissão de Igualdade Racial com o apoio do Movimento de Justiça e Direitos Humanos.

Dia D do OAB Vai à Escola: a educação como antídoto à violência

A mobilização estadual do programa OAB Vai à Escola focou no combate aos feminicídios. Em Porto Alegre, sede da seccional, a ação ocorreu em cinco escolas estaduais, por meio de palestras ministradas por advogadas e advogados, direcionadas a alunas e alunos a partir dos 12 anos. Além disso, em todo o Estado, o Dia D contou com o engajamento das 107 subseções da entidade, que organizaram atividades em suas respectivas localidades para debater respeito, igualdade e o enfrentamento à violência contra a mulher. A ação alcançou praticamente 10 mil jovens e envolveu 150 escolas estaduais e municipais.

Para Claridê, que também é coordenadora do projeto, o ambiente escolar é o mais profícuo para gerar mudanças reais. "Nós, enquanto OAB/RS, entendemos que as transformações ocorrem a partir da educação. É nas escolas que encontramos o espaço para contribuir na construção de uma sociedade mais justa, plural e igualitária", destacou. A iniciativa reforça o papel da Ordem na promoção de mudanças sociais ao estimular o pensamento crítico sobre cidadania e responsabilidade coletiva desde as primeiras fases da formação escolar.

Criado em 2009, o programa OAB Vai à Escola é uma iniciativa consolidada da Ordem gaúcha que promove debates sobre temas como bullying, diversidade e direitos humanos. Ao longo dos anos, o projeto tem contribuído para aproximar a advocacia da comunidade escolar e fomentar a formação de cidadãos mais informados e engajados na defesa da dignidade humana.

FOTO: OAB-RS/Divulgação

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato