Imposto de Renda 2026 exige atenção dos contribuintes e reforça papel estratégico do contador

 


Com a abertura do prazo para a entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, referente aos rendimentos de 2025, milhões de brasileiros voltam a se deparar com dúvidas, regras específicas e a necessidade de atenção redobrada para evitar erros, multas e problemas com a Receita Federal. Neste cenário, a atuação técnica e estratégica do contador ganha ainda mais relevância. A Receita Federal iniciou o recebimento das declarações no dia 23 de março, e o prazo se estende até 29 de maio de 2026.

Para a contadora Daniela Kologeski, da CDJ Contabilidade, o período vai muito além de uma obrigação burocrática: trata-se de um momento decisivo para a regularidade fiscal e para a organização financeira do contribuinte. “A declaração deste ano se refere a fatos geradores ocorridos em 2025, o chamado ano-base da declaração. A ampliação da faixa de isenção já está valendo neste ano, mas terá efeitos na declaração anual de ajuste somente em 2027”, explica Daniela.

A observação da especialista é fundamental diante de uma das maiores dúvidas deste ciclo. Embora a legislação que ampliou a isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais e reduziu o imposto para rendas de até R$ 7.350 já esteja em vigor desde janeiro de 2026, seus reflexos na declaração anual só aparecerão no exercício 2027 (ano-calendário 2026).

Quem está obrigado a declarar em 2026

Estão obrigados a apresentar a declaração os contribuintes que, ao longo de 2025, se enquadraram em pelo menos uma das situações previstas pela Receita Federal. Entre os principais critérios, estão:

  • rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00;
  • outros rendimentos superiores a R$ 200 mil;
  • ganho de capital sujeito à incidência do imposto;
  • venda de bens ou operações em bolsa acima dos limites legais;
  • receita bruta da atividade rural superior a R$ 177.920,00;
  • posse ou propriedade de bens acima de R$ 800 mil;
  • rendimentos, aplicações, lucros ou dividendos no exterior;
  • mudança para a condição de residente no Brasil;
  • situações patrimoniais e tributárias específicas envolvendo trusts, controladas no exterior e isenções de ganho de capital.

Segundo Daniela, mais do que verificar se há obrigatoriedade, o contribuinte precisa entender que qualquer informação lançada de forma incorreta pode trazer consequências sérias. “A Receita Federal pode entender que houve tentativa de omitir informações financeiras, aumentando as chances de cair na malha fina.”

O alerta da contadora é direto: deixar de declarar ou perder o prazo pode trazer impactos imediatos e, em alguns casos, duradouros. Além da multa por atraso, o contribuinte pode enfrentar pendências no CPF, dificuldade para obter financiamentos, restrições em operações bancárias e problemas para regularizar sua situação perante o Fisco. Para quem perder o prazo, Daniela orienta rapidez. “Ao procurar um escritório de contabilidade, a pessoa é orientada e auxiliada nos procedimentos.”

A Receita Federal também reforça que a declaração pré-preenchida estará disponível com ampliação de dados em relação ao ano passado, incluindo novas informações do eSocial para empregados domésticos, dados de renda variável e recuperação de DARFs, o que tende a facilitar o preenchimento, mas não elimina a necessidade de conferência minuciosa por parte do contribuinte.

Dá para declarar sozinho? Sim. Mas nem sempre é o mais seguro

Embora o programa da Receita Federal seja gratuito e permita que o próprio contribuinte faça sua declaração, Daniela ressalta que a autonomia não substitui a análise técnica quando a situação é mais complexa. A recomendação de buscar um contador se torna ainda mais importante em casos como: mais de uma fonte de renda; atuação como profissional liberal ou autônomo; grande volume de recibos e despesas dedutíveis; venda de imóveis, veículos ou ações; ganhos de capital; rendimentos no exterior; investimentos financeiros mais sofisticados; dúvidas sobre deduções e enquadramentos legais.

Nesses casos, a atuação do profissional contábil vai além do preenchimento do sistema. Uma declaração mal elaborada pode resultar em inconsistências, retenção em malha fina e até custos desnecessários ao contribuinte. Já uma apuração correta permite o aproveitamento adequado de deduções, reduz riscos e garante mais segurança.

Da escrita manual à inteligência artificial: 35 anos de experiência a serviço do contribuinte

A autoridade de Daniela no tema também se sustenta em uma trajetória de décadas dentro da contabilidade. Ela começou a trabalhar na área aos 15 anos e, hoje, soma 35 anos de experiência em um setor que passou por transformações profundas. “Eu escolhi a contabilidade por amor e pela emoção”, afirma.

Ao longo dessa jornada, Daniela acompanhou a evolução de um trabalho que, antes, era feito de forma manual, com cálculos em papel e consultas em livros físicos, até chegar à era da tecnologia e da inteligência artificial, que tornaram os processos mais rápidos, dinâmicos e assertivos.

Mas, para ela, a essência da profissão permanece a mesma: proximidade, confiança e leitura estratégica da realidade do cliente. “O contador não é aquele que só traz os impostos para o cliente pagar. Ele cria um vínculo com o cliente, por isso muitas vezes somos ‘psicólogos’. Isso é importante e necessário para o crescimento da empresa.”

A fala resume uma mudança de percepção cada vez mais evidente no mercado: o contador deixou de ser visto apenas como executor de obrigações acessórias e passou a ocupar um papel consultivo, preventivo e até humano dentro da rotina de pessoas físicas e empresas.

Mais do que obrigação, a declaração exige responsabilidade

No período de declaração do Imposto de Renda, a pressa costuma ser uma inimiga silenciosa. E, para Daniela Kologeski, a orientação é clara: organização, conferência e responsabilidade são indispensáveis.

Em meio a novas regras, mudanças legislativas e um ambiente tributário cada vez mais digital, o papel do contador se consolida como peça-chave não apenas para cumprir uma obrigação anual, mas para garantir segurança, evitar prejuízos e orientar decisões com impacto real na vida financeira do contribuinte.

 Texto e foto: Olhar Daqui RS

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